Requisitos minímos: Windows XP/Vista, Single-core 2.4 GHz, 1GB RAM, 12 GB Disco, Placa Gráfica de 256 MB compatível com DX9.0c
Em Crysis vamos calçar as botas de Jake "Nomad" Dunn, um soldado das forças especiais norte-americanas, que integra uma equipa de resgate a um grupo de arqueólogos americanos que fizeram uma importante descoberta no mar das Filipinas. O que a princípio parece uma normal incursão contra forças norte-coreanas rapidamente entra em ebulição para se revelar um confronto épico onde a própria sobrevivência da raça humana está em jogo, com a entrada em cena de uma hostil trupe de extra-terrestres.
Os soldados da Força Delta de Crysis não são vulgares homens de guerra. Para além do treino extremo, estão equipados com um Nano Muscle Suit, um fato com propriedades muito avançadas e que usa a nanotecnologia para modificar o próprio tecido humano e interagir com o meio ambiente. Além da nossa energia vital também teremos de jogar com a energia do Nano Muscle Suit para sobrevivermos a todos os desafios de Crysis. O fato tem vários modos de funcionamento, que podem ser escolhidos a qualquer altura. Podemos precisar de mais força para arremessar um objecto pesado ou saltar mais alto; mais velocidade para evadir ataques ou atacar mais depressa; aumentar a nossa armadura para defrontar inimigos mais fortes ou desfazer cegamente hordas de soldados; e ainda imiscuirmo-nos no meio ambiente, com uma camuflagem que nos torna praticamente invisíveis.
Na prática, isto resulta de forma espectacular. A jogabilidade ganha um laivo táctico subtil mas crucial, ao passo que torna a abordagem aos diferentes objectivos do jogo ainda mais "a gosto", colocando o livre arbítrio nas mãos dos jogadores. Todas as missões possuem objectivos primários e secundários, mas a ordem pela qual os resolvemos depende apenas de nós. Não é só o fato que nos dá uma maior mobilidade. Pelos cenários de Crysis é possível conduzir uma variedade de veículos, como jipes, carrinhas de caixa aberta, tanques, lanchas, hovercrafts, helicópteros e aeronaves.
Mas tudo isto falharia redondamente se o mundo de Crysis não fosse credível. Para esse efeito trabalham a Inteligência Artificial dos inimigos e aliados e ainda o motor de física. Cada confronto em Crysis é diferente. Os adversários comportam-se como seres realmente inteligentes e é preciso estarmos muito atentos ao indicador no ecrã que nos indica se estamos muito expostos. Se o não fizermos, corremos o risco de sermos emboscados ou de nos deparamos com um conjunto organizado pronto para nos aniquilar, usando o cenário para conseguir as posições mais vantajosas. Quando somos nós a detectar primeiro os inimigos, no caso dos soldados coreanos até os podemos apanhar a fazerem tarefas tão banais como puxar o lustro a um jipe. Nada forçado, tudo muito natural e fluido.
A física, por seu lado, permite-nos desfrutar de todo o arsenal que Crysis oferece. Uma das coisas mais espectaculares que se pode fazer no jogo é imitar Arnold Schwarzenegger no filme Predador, e destruir a selva à nossa volta, quebrando as próprias árvores em pedaços, criando uma clareira de destruição. Mas os bons pormenores não se ficam por aqui. Desde atirar aos pneus dos veículos para os despistar, ao coice das armas que nos faz voar quando estamos em ambientes com gravidade zero, tudo tem um cunho de realismo muito imersivo, o que favorece imenso a jogabilidade. Com todas estas premissas introduzidas de forma imaculada, Crysis rapidamente se torna num espectáculo de acção, diversão e suspense, encerrando em si surpresas a cada esquina, e o próprio enredo não está imune a isso mesmo.
A passagem do inimigo humano para o inimigo alienígena traz consigo outro toque na jogabilidade. A gravidade zero transforma o jogo por completo e há diversos novos "requintes" como o facto de podermos ficar congelados e termos de abanar ferozmente o rato para evitar o pior. A extensão da aventura para um jogador não é muito longa, esgotando-se em pouco mais de sete horas e acaba com uma porta aberta para o segundo episódio da já anunciada trilogia. Mas, mesmo assim, o desafio constante que cada troca de tiros representa, por mais singela que possa parecer, faz com que as coisas pareçam maiores e mais abrangentes, quando no fundo é apenas o poder de imersão de Crysis que consegue retirar o máximo proveito de cada segundo de jogo.
As opções multijogador de Crysis passam por oferecer muito com pouco. Isto é, têm apenas dois modos de jogo, mas que nos conseguem encher bem as medidas. Se por um lado o modo Instant Action é um verdadeiro palco de brincadeiras onde, num ambiente de todos contra todos, levamos as funcionalidades do Nano Muscle Suit aos limites, por outro lado, o modo Power Struggle entrega uma componente táctica e estratégica, associada a essa "brincadeira". No Power Struggle americanos defrontam norte-coreanos, ambos equipados com o fato especial. Todos os jogadores começam com uma versão mais fraca do Nano Muscle Suit e apenas com uma pistola, tendo que completar objectivos ou eliminar inimigos para conseguirem amealhar Prestige. O Prestige é uma moeda de troca com a qual podemos comprar armas, veículos, munições, melhorar o nosso fato, etc.
O Power Struggle é um modo de jogo complexo e algo diferente ao que estamos habituados. Passadas duas e três horas a situação pode não se ter alterado significativamente, pois o objectivo consiste em capturar pontos-chave inimigos e tecnologia alienígena, sem a qual é muito complicado romper as defesas adversárias. Além do mais existem bunkers que nos permitem "nascer" em pontos mais avançados do terreno e fábricas para construírem os veículos comprados com o nosso Prestige. É uma verdadeira luta pelo poder na real acepção da palavra. Nada se consegue sem um grande esforço de equipa, coordenando a utilização de infantaria e veículos (todos eles disponíveis neste modo), para se atingirem os objectivos. Os mapas em si são extensos e permitem tirar todo o partido da combinação veículos/fato, abrindo as portas a abordagens distintas a cada investida.
A apresentação de Crysis é sublime, soterrando o efeito "boca aberta" que Far Cry nos tinha provocado em tempos idos. O nível de detalhe é impressionante, desde as folhas das árvores, faces, armas, veículos, em tudo sentimos que estamos a contactar com a próxima geração de gráficos. Os raios de sol que rasgam a floresta ou se aconchegam nas margens de uma ilha paradisíaca, contrastam com o ambiente hostil da segunda parte do jogo e todo o design aterrador da máquina de guerra alienígena. Em comum, apenas a perfeição técnica. Contudo, só com uma máquina topo de gama a funcionar com DirectX 10 podem retirar o total proveito gráfico de Crysis. Mas a Crytek não deixou que isto não fosse um entrave, entregando um jogo que se consegue escalar graficamente. A diferença entre DX9 e DX10 é apenas um pequeno passo na definição das texturas, e mesmo que tenham um PC com dois anos conseguirão jogar Crysis, se bem que com uma qualidade muito depauperada e algo soluçante.
O som encontra-se ao nível daquilo que vemos. À excelente banda sonora composta pelo israelita Inon Zur, que vai moldando o nosso estado de espírito durante a aventura, junta-se uma paleta enorme de efeitos sonoros e um sólido trabalho de vozes. Os soldados inimigos comunicam entre si, muitas vezes fornecendo dicas que podemos usar como estratégia contra eles, como quando pedem cobertura para recarregar. Claro que se jogarem no nível de dificuldade mais avançado, apenas podem usar isto a vosso favor se perceberem coreano. Um pequeno pormenor, mas com grande estilo.
Se possuem um PC topo de gama e os Atiradores na Primeira Pessoa são a vossa onda, então este Crysis é totalmente imperdível. Gráficos que se confundem muitas vezes com o foto realismo, uma componente sonora muito sólida e bem explorada, e ainda uma jogabilidade algo diferente da do género, explorando muito bem as funcionalidades do Nano Muscle Suit. Sem grandes dúvidas, um dos melhores APP do últimos anos.
Gráficos - 100
Som - 94
Jogabilidade - 98
Valor - 90
Pormenores - 82
Global - 92
Fonte: MyGames
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